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A variável humana no Design

Atualizado: 12 de out. de 2021

Um aprendizado sobre o que temos em comum e como podemos utilizar este conhecimento no design.



Se está lendo este texto, provavelmente você é um humano e se já sentiu sono alguma vez na sua vida, há algo em você que é semelhante à muitas outras pessoas.


Fundamentos Todos nós temos diferenças, mas também possuímos características comuns e muitas vezes idênticas. Afinal, ao que tudo indica, somos da mesma espécie. Aprendi que existem alguns fundamentos que norteiam cada elemento da construção dos artefatos com que trabalho. Parte destes fundamentos aprendi desde a academia, outros com a experiência e outros me foram ensinados por grandes profissionais. O principal ponto que busquei desenvolver foi o da simplicidade e eficiência. Considerando que o ser humano possui recursos cognitivos limitados, busquei criar interfaces que explicassem o óbvio, que fossem familiares e minimalistas. Por isto, entender sobre os padrões mentais e fisiológicos pode ajudar a desenvolver novas ideias.


Tudo começa com um problema Um problema é identificado, e quando este problema é reconhecido como algo relevante para resolver, nós designers temos trabalho pela frente. Não vou abordar processos específicos, sejam mais antigos ou recentes, como Lean UX ou Product Discovery, mas trago o conceito de método científico, o mesmo ensinado nas academias há décadas. O método consiste em investigarmos o problema, os envolvidos, buscarmos indícios, formularmos hipóteses, investigarmos mais, levantarmos suposições, identificarmos quais suposições devemos aprofundar, e desenvolvermos uma proposta de solução, esta solução deve ser testada com as pessoas. Então recolhemos dados, analisamos e melhoramos. E obviamente, estamos tentando resolver problemas humanos, e esta variável é realmente fantástica.


A variável fantástica Pela minha experiência, posso afirmar que projetar para uma pessoa, pode ser surpreendente e desafiador, tente descobrir de alguém com quem você possui bastante intimidade, o que ela deseja comer no jantar, depois cozinhe para ela, você verá nesse processo de descoberta, construção e entrega, que não é algo trivial, e que mesmo fazendo tudo corretamente ela pode não gostar. Devemos ter sempre em mente, que estamos trabalhando para seres humanos e toda sua complexidade, quando trazemos isso para o Design, que deve solucionar problemas para milhares de pessoas, o desafio é correspondente, por isto por mais pesquisas e experimentos que possamos fazer, há algumas premissas que podem nos ajudar. A primeira é que nós humanos estamos sempre desejando algo, e tentando resolver alguma tarefa, mas nós não desejamos a tarefa, nós desejamos o resultado dela. Nestas situações, liberamos hormônios de ansiedade como o cortisol, ou prazer, como a endorfina, dopamina, serotonina e ocitocina. Quando concluímos a tarefa e recebemos a recompensa, os hormônios começam a serem reduzidos no organismo e ficamos aliviados, ou continuamos a vida como se nada tivesse acontecido. Este resultado pode parecer estranho, mas é como naqueles filmes em que há pessoas fumando depois do sexo. Dito isto, fica evidente que não podemos projetar experiências. Como disse o pesquisador Walter Cybis, em seu livro Ergonomia e Usabilidade, Conhecimentos, Métodos e Aplicações(2010), a experiência do usuário é individual, ou seja, se você der o mesmo bolo à duas pessoas, elas podem ter sensações totalmente diferentes. Mas se não podemos projetar experiências, ao menos podemos projetar contextos, e satisfazer em graus diferentes, porcentagens de determinado público, e este é o desafio.



Se entendemos o que há de comum para o público que estamos tentando ajudar, podemos chegar à um nível de assertividade interessante. Outro ponto que temos em comum é que sempre que somos forçados a gastar energia, ficamos frustrados, pois nosso corpo não quer isso, como quando queremos ver a pia limpa e sem louças sujas. Devemos nos esforçar para tornar cada tarefa mais simples, mais econômica e até mesmo prazerosa, e observando de uma perspectiva positiva, as pessoas poderão utilizar o tempo poupado com tarefas que as façam se sentirem melhor. Pense como seria sua vida sem a máquina de lavar roupa.

Particularmente, penso que o artefato é apenas um meio para o ser humano concluir uma tarefa com mais eficiência, e se nós tornarmos estes artefatos mais fáceis de aprender, de utilizar, e ajudamos a reduzir o tempo de trabalho, através de um meio simples, que desperte a sensação… “humm, eu sei que ela está ali, mas nem percebi”.

A variável humana é o que justifica a existência do Design. E quanto mais entendermos sobre como nós mesmos funcionamos, a probabilidade de desenvolvermos soluções que realmente façam sentido e gerem o impacto esperado é maior.


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2 Comments


João Ricardo
João Ricardo
Apr 09, 2021

Muito bom o artigo!!! Sempre bom aprender mais. Abraços, João Ricardo

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john morais
john morais
Apr 09, 2021
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Obrigado pelo apoio!

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